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Ano 2003

Fraternidade e
as Pessoas Idosas

Dignidade, Vida e Esperança
 
Cartaz
 
 
 
Campanha da Fraternidade 2003
Textos Complementares
 
Idosos - Vida e Dignidade...

O RESPEITO PARA COM OS ANCIÃOS
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

O mundo precisa mais do que nunca de pessoas que tenham aprendido o significado da responsabilidade de seres humanos que interferem, quer queiram, quer não, na vida de cada um. Massacrar os outros, sobretudo aqueles que já se encontram na última etapa da caminhada neste mundo, é sempre uma violação de um relacionamento que deve ser construtivo, formativo, enlevando e elevando num convívio que, no trato diário, pode conduzir aos píncaros da beatitude ou aos abismos da infelicidade.

Nunca se reflete demais na complexidade do conceito do encontro. Wladimir Lindenberg observou que "o homem de hoje mal sabe ainda o que vem a ser propriamente encontro, apesar de todos os dias, a toda hora, estar submetido a encontros. Na sua vivacidade e no seu egocentrismo, embota-se-lhe o sentido para as coisas, tanto delicadas como grosseiras, que o circundam, que o investem, que o tocam, que muitas vezes o abatem ou arrebatam. Talvez ainda as registre no subconsciente, porém, não mais as vive". Há sempre, não há dúvida, algo de fatídico, de casual, de inevitável no ato do encontro.

É preciso que todos tomem consciência disto. Cada encontro é como uma pedra que tomba na água e que produz visíveis círculos concêntricos na superfície do líquido, e outros, invisíveis, na profundeza e no ar. Está repleto de segredos que vão do passado ao presente e até ao futuro, que estabelecem relações de pessoa para pessoa. Eis por que, no dia a dia é preciso perscrutar o nosso interior para que atritos e indelicadezas, por vezes, mortais não firam ou abalem os outros, deixando marcas indeléveis, mormente nos mais idosos que carecem de atenção e carinho especiais. Quantas vezes ao invés de se dar um aperfeiçoamento, se parturejam deformações na convivência de cada momento, faltando, em tantas ocasiões a delicadeza, a cortesia, a lhaneza ou até o mínimo de respeito para com os outros!

Cumpre que se penetre fundo no belo pensamento de Folliet: "O sentido do outro não é uma virtude, mas um conjunto de mil virtudes humildes ou brilhantes. O sentido do outro é delicadeza que sabe ouvir, é compreensão, é espírito de serviço, é suavidade, é gentileza, é bondade". Nada mais sublime, de fato, do que iluminar com o ardor de uma atitude reverente mormente aqueles que, na velhice, precisam de mais amparo e desvelo. Não é fácil vencer a vaidade, a soberba, a intolerância, a prepotência, a arrogância. Grandes males padecem os idosos por faltar um mínimo de sensibilidade cristã de modo especial em certos jovens malcriados ou adultos ingratos para com seus pais que por eles tanto se sacrificaram. Ser cortês, agradecido, alegre, detentor de um admirável autocontrole que visa impedir a hostilidade deve ser o ideal do verdadeiro cristão que ama e cultua, pela piedade filial, os avós, os pais, os mestres, qualquer ancião.

Na nossa sociedade falta tantas vezes o respeito para com aqueles que tanto lutaram vida toda e que são menoscabados no fim de sua existência. Cumpre o avivamento do encontro útil, proveitoso, vantajoso, proficiente com os mais velhos mediante o amor que tudo constrói e que impede as rusgas e desprezos que tudo destroem. Diz a Bíblia: "Um filho tolo é um desgosto para o pai e amargura para aquela que o gerou" (Pv 17,25). Deus promete recompensa apenas para os bons filhos: "Dá ouvido à autoridade de teu pai e não esqueças os conselhos de tua mãe; assim terás graça sobre a tua cabeça e um colar para o teu pescoço" (Pv 1,8). Que todos possam sempre pensar e dizer aos outros, sobretudo aos idosos "Hoje te estimo mais do que ontem, mas menos do que amanhã, porque amanhã te estimarei mais ainda. Entretanto, sempre o meu respeito há de ser maior do que todo meu amor e amizade".. É que o respeito é o fundamento da verdadeira dileção e da total consideração para com os outros.* Professor no Seminário de Mariana - MG