O RESPEITO PARA COM OS ANCIÃOS
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
O mundo precisa mais do que nunca de pessoas
que tenham aprendido o significado da responsabilidade de
seres humanos que interferem, quer queiram, quer não,
na vida de cada um. Massacrar os outros, sobretudo aqueles
que já se encontram na última etapa da caminhada
neste mundo, é sempre uma violação de
um relacionamento que deve ser construtivo, formativo, enlevando
e elevando num convívio que, no trato diário,
pode conduzir aos píncaros da beatitude ou aos abismos
da infelicidade.
Nunca se reflete demais na complexidade do conceito do encontro.
Wladimir Lindenberg observou que "o homem de hoje mal
sabe ainda o que vem a ser propriamente encontro, apesar de
todos os dias, a toda hora, estar submetido a encontros. Na
sua vivacidade e no seu egocentrismo, embota-se-lhe o sentido
para as coisas, tanto delicadas como grosseiras, que o circundam,
que o investem, que o tocam, que muitas vezes o abatem ou
arrebatam. Talvez ainda as registre no subconsciente, porém,
não mais as vive". Há sempre, não
há dúvida, algo de fatídico, de casual,
de inevitável no ato do encontro.
É preciso que todos tomem consciência disto.
Cada encontro é como uma pedra que tomba na água
e que produz visíveis círculos concêntricos
na superfície do líquido, e outros, invisíveis,
na profundeza e no ar. Está repleto de segredos que
vão do passado ao presente e até ao futuro,
que estabelecem relações de pessoa para pessoa.
Eis por que, no dia a dia é preciso perscrutar o nosso
interior para que atritos e indelicadezas, por vezes, mortais
não firam ou abalem os outros, deixando marcas indeléveis,
mormente nos mais idosos que carecem de atenção
e carinho especiais. Quantas vezes ao invés de se dar
um aperfeiçoamento, se parturejam deformações
na convivência de cada momento, faltando, em tantas
ocasiões a delicadeza, a cortesia, a lhaneza ou até
o mínimo de respeito para com os outros!
Cumpre que se penetre fundo no belo pensamento de Folliet:
"O sentido do outro não é uma virtude,
mas um conjunto de mil virtudes humildes ou brilhantes. O
sentido do outro é delicadeza que sabe ouvir, é
compreensão, é espírito de serviço,
é suavidade, é gentileza, é bondade".
Nada mais sublime, de fato, do que iluminar com o ardor de
uma atitude reverente mormente aqueles que, na velhice, precisam
de mais amparo e desvelo. Não é fácil
vencer a vaidade, a soberba, a intolerância, a prepotência,
a arrogância. Grandes males padecem os idosos por faltar
um mínimo de sensibilidade cristã de modo especial
em certos jovens malcriados ou adultos ingratos para com seus
pais que por eles tanto se sacrificaram. Ser cortês,
agradecido, alegre, detentor de um admirável autocontrole
que visa impedir a hostilidade deve ser o ideal do verdadeiro
cristão que ama e cultua, pela piedade filial, os avós,
os pais, os mestres, qualquer ancião.
Na nossa sociedade falta tantas vezes o respeito para com
aqueles que tanto lutaram vida toda e que são menoscabados
no fim de sua existência. Cumpre o avivamento do encontro
útil, proveitoso, vantajoso, proficiente com os mais
velhos mediante o amor que tudo constrói e que impede
as rusgas e desprezos que tudo destroem. Diz a Bíblia:
"Um filho tolo é um desgosto para o pai e amargura
para aquela que o gerou" (Pv 17,25). Deus promete recompensa
apenas para os bons filhos: "Dá ouvido à
autoridade de teu pai e não esqueças os conselhos
de tua mãe; assim terás graça sobre a
tua cabeça e um colar para o teu pescoço"
(Pv 1,8). Que todos possam sempre pensar e dizer aos outros,
sobretudo aos idosos "Hoje te estimo mais do que ontem,
mas menos do que amanhã, porque amanhã te estimarei
mais ainda. Entretanto, sempre o meu respeito há de
ser maior do que todo meu amor e amizade".. É
que o respeito é o fundamento da verdadeira dileção
e da total consideração para com os outros.*
Professor no Seminário de Mariana - MG
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