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Ano 2003

Fraternidade e
as Pessoas Idosas

Dignidade, Vida e Esperança
 
Cartaz
 
 
 
Campanha da Fraternidade 2003
Textos Complementares
 
Fraternidade e Pessoas Idosas


Dom Raymundo Damasceno Assis
Secretário-Geral da CNBB

No Brasil, o tempo de Quaresma, que nos prepara para a Páscoa de Cristo e a nossa páscoa, está ligado profundamente à Campanha da Fraternidade, que este ano tem como tema Fraternidade e Pessoas Idosas, e como lema Vida, Dignidade e Esperança.

Segundo o último censo do IBGE, em 2000, o número de idosos atingiu cerca de 8,6% da população, o que eqüivale a 15 milhões de pessoas. Para os próximos vinte anos, a previsão é de que esse número será de 15% do total da população. É uma estatística que não pode ser mais ignorada.

O aumento da expectativa de vida do brasileiro se deve, entre outros fatores, ao progresso da medicina, às melhores condições sociais e econômicas e - porque não dizer - ao rígido controle demográfico e a uma mentalidade anti-vida, que têm levado à diminuição da taxa de fecundidade nos últimos anos. Daí, uma expressão usada para definir o Brasil de hoje: "um país jovem de cabelos brancos".

Era de se desejar que a longevidade fosse acompanhada de melhor qualidade de vida para os que alcançam idade mais avançada.

No Brasil, porém, enquanto a média de vida é de cerca de 68 anos, a média de idade com qualidade de vida é de mais ou menos 60 anos.

Além disso, o abandono de nossos idosos se evidencia na precariedade dos serviços e programas sociais e de saúde nessa faixa etária, particularmente para os de baixa renda.

No modelo econômico neoliberal, que supervaloriza o lucro, a produtividade, o consumo, a eficiência, o jovem é supervalorizado, enquanto o idoso é considerado freqüentemente um inútil, um peso-morto para a família, a sociedade, e para o Estado um improdutivo. Daí, o desprezo por ele e o desrespeito à sua dignidade.

A Campanha da Fraternidade, neste período de Quaresma, tempo de conversão, nos convida a descobrir, no rosto do nosso irmão e irmã envelhecido pelo tempo e pelo trabalho, o rosto de Jesus Cristo, a beleza de Deus.

A situação do idoso entre nós é um desafio para todos e cada um individualmente. Esta situação exige políticas adequadas às novas exigências geradas pelo crescimento do envelhecimento, exige novas formas de pensar e novos critérios de análise da realidade. Papel importante na resposta a essas exigências cabe ao Conselho Nacional dos Idosos, que antes de trabalhar a partir da assistência social, deve ser um instrumento de transformação, que gere novas estruturas e formas de participação que possibilitem aos idosos o exercício da cidadania e a construção de um novo Brasil que seja também para as pessoas idosas. Alguém dizia com certa ironia: "No Brasil, os anciãos de amanhã serão os meninos de rua hoje".
A Quaresma pede de nós renovação pessoal e comunitária, a fim de "construirmos uma civilização plenamente humana, onde se respeitem, se amem e se valorizem os anciãos, para que estes se sintam, apesar da diminuição das forças, parte viva da sociedade".

O idoso se sentirá parte viva da sociedade se for acolhido, de preferência e se possível, naquele ambiente onde ele é "de casa", entre os parentes conhecidos e amigos e pela sociedade, onde pode prestar algum serviço voluntário, ao invés de ser jogado num asilo, onde com raras exceções poderá viver os dias que lhe restam com dignidade e na esperança da vida em plenitude. (Cf. Carta aos Anciãos, João Paulo II).
Que a Campanha da Fraternidade deste ano nos ajude a sermos mensageiros de vida, dignidade, felicidade e esperança para todas as pessoas idosas do nosso Brasil.


Brasília, 22 de janeiro de 2003.


Dom Raymundo Damasceno Assis
Secretário-Geral da CNBB