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Chamados e Chamadas à inclusão. A Mensagem Vocacional
da CF-2000 Ecumênica
(Arquivo formato RTF; aprox. 26Kb)
- O Olhar do Teólogo (J. B.
Libanio)
J. B. Libanio
Muitas novidades na presente Campanha da
Fraternidade. A amplitude do tema: Dignidade humana e Paz.
A utopia maravilhosa do lema: Novo milênio sem exclusões.
O caráter ecumênico da iniciativa. Deposita-se
muita esperança nessa nova forma da Campanha da Fraternidade.
O tema: Dignidade humana e Paz. Vive-se verdadeiro
paradoxo. Nunca esteve tão claro para a consciência
das pessoas o caráter inalienável da pessoa
humana. A modernidade nasce proclamando a autonomia, a liberdade,
a dignidade do ser humano, deixando para trás um momento
cultural em que a autoridade patriarcal na família,
a monarquia no Estado, a tradição na cultura,
o clero na Igreja ditavam a única verdade, o único
caminho do bem, os únicos valores. Por outro lado,
nunca se viu tanta violação dessa mesma dignidade
humana.
A Revolução Francesa resumiu
em três palavras o cerne dessa descoberta: Liberdade,
igualdade e fraternidade. A dignidade humana é cultivada
lá onde a liberdade encontra espaço de exercício,
onde a igualdade é procurada, onde a fraternidade é
cultivada. A liberdade opõe-se a toda imposição
arbitrária, a toda coação indevida, a
todo cerceamento na expressão dos pensamentos, opiniões,
práticas religiosas das pessoas. A igualdade denuncia
o sistema gerador de escandalosa brecha entre ricos e pobres,
de diferenças de oportunidades, de favorecimento de
minorias e elites privilegiadas. A fraternidade clama contra
toda exclusão, proclamando uma cultura da solidariedade.
A dignidade humana pode tornar-se termo abstrato
ou declaração vazia desde que não se
percebam as violações contra ela e as exigências
inerentes a ela. O fundamento último da dignidade humana
reside na condição espiritual do ser humano.
Ele é corpo, alma e espírito. Ser espírito
implica dimensão de transcendência, de fim, de
absoluto que não pode nunca ser instrumentalizado,
reduzido à condição de objeto, de puro
meio para outro fim. Essa reivindicação radical
lhe vem do fato de ser criado por Deus. Na raiz da transcendência
humana está inscrito algo de Deus, que escapa a toda
manipulação humana.
O cristão vai ainda mais longe na
sua reflexão. O Verbo divino assumiu a natureza humana
e elevou-a à plenitude pela ressurreição.
Todo ser humano é chamado a participar da comunhão
com o Deus trino na história e para além dela.
A maneira para viver tal dignidade é
a Paz. Paz contrapõe-se a toda violência, a toda
guerra, a todo conflito destrutivo. Só na Paz o ser
humano consegue realizar-se na sua mais profunda realidade.
A conseqüência principal da valorização
da dignidade humana e da paz é o surgir de uma sociedade
sem exclusões. A causa maior hoje da exclusão
é a centralidade do mercado do qual são excluídos
todos aqueles que não dispõem de poder aquisitivo
nem participam do processo produtivo e distributivo.
Na atual Campanha da Fraternidade várias
igrejas cristãs quiseram criar juntas essa utopia e
procurar viabilizá-la em nossa Sociedade. O seu caráter
ecumênico enriquece a própria causa maior em
questão. E ajuda também as igrejas cristãs
descobrirem o gostinho de trabalhar juntas e assim ir construindo
a tão sonhada unidade dos cristãos. Desejo de
Jesus e nosso!
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