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Ano 1998

Fraternidade e Educação

A Serviço da Vida e da Esperança
 
 
 
 
Campanha da Fraternidade 1998
Resumo

Fraternidade e Educação

A Campanha da Fraternidade de 1998, a exemplo da anterior, adquire uma conotação diferente, por inserir-se no contexto do grande Projeto de Evangelização da Igreja no Brasil em preparação ao Grande Jubileu do Ano 2000.

O Projeto "Rumo ao Novo Milênio", afirmavam os Bispos participantes de 34ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), "procura responder, com entusiasmo, à Palavra do Papa João Paulo II, que convoca a Igreja, em continuidade com o Concílio Vaticano II, a dar testemunho de sua fé no mundo onde crescem a violência, a injustiça e o secularismo; a promover o diálogo e a unidade, principalmente entre os cristãos; a transformar a sociedade em sinal do advento do Reino de Justiça, Amor, Paz, Vida Plena que Jesus veio nos comunicar".

O ano de 1998 é dedicado, no PRNM, ao Espírito Santo, à virtude teologal da Esperança e ao Sacramento da Confirmação e ao Evangelho de São Lucas.

Partindo de situações concretas da vida, sob o ângulo da Educação, educação em sentido amplo, a Campanha da Fraternidade 98 quer evangelizar, em vista da vida fraterna e da transformação social. Esta situação, assumida como tema de uma CF, é analisada, à luz da Palavra de Deus, no espírito quaresmal, em preparação da Páscoa, segundo o método ver-julgar-agir. O tema é abordado de diversas formas e sob diversos ângulos. É refletido nos roteiros catequéticos, nas homilias, nos círculos bíblicos, nas mensagens veiculadas através dos meios de comunicação de massa, no cartaz, nos cantos... É aprofundado e vivido na liturgia - celebrações da Palavra, da Eucaristia, Via-Sacra, Hora Eucarística, Celebração da Misericórdia...

O tema da CF-98, "Fraternidade e Educação", escolhido a partir de sugestões vindas dos diversos Regionais da CNBB, é de conteúdo muito vasto e rico, pois visa a colocar a fraternidade a serviço da educação e a educação a serviço da cidadania.

O lema da CF-98, tirado do objetivo geral da Igreja no Brasil (1995-1998), "a serviço da vida e da esperança", é de total atualidade e valor. Vivemos momentos difíceis de mudança civilizatória e, junto com as grandes maravilhas das conquistas do gênio humano, acontecem gravíssimas conseqüências, que ferem a vida e a esperança: desemprego, violência, corrupção, imoralidades, poluição, impunidade e desertificação da terra, muito desserviço à vida, cada vez mais desrespeitada e agredida, gerando forte queda na esperança no povo, especialmente, entre os pobres, os excluídos... A Igreja, a partir da fé, é impulsionada pelo Senhor da vida a defender e promover a vida e "vida em abundância" (cf Jo 10,8) e para plantar e alimentar esperança.

Ao serem dados os primeiros passos para a CF 98, foram lançadas algumas idéias para o seu desenvolvimento. Tê-las presente ajudará na busca de seus objetivos, assim como ajudou à equipe de redação do Texto-base:

- A CF é projeto anual do Secretariado Nacional da CNBB e das Igrejas Particulares no Brasil, realizado à luz e na perspectiva das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora. As Diretrizes são, portanto, ponto de referência obrigatório na elaboração dos diversos subsídios de cada CF.

- Esta campanha deverá ter como eixo a educação entendida em sua globalidade. Não se quer uma campanha voltada apenas para a educação formal (escolar), mas uma educação que vise atingir a globalidade do ser humano, constituindo-se em elemento formador do cidadão e que valorize, também, o aspecto informal, isto é, aquilo que se pode aprender na família, nos vários ambientes da sociedade, fora dos bancos escolares.

- O desenvolvimento do tema na redação do Texto-base deverá considerar a dimensão educativa de todas as instituições sociais; todos somos educadores sempre, e sempre seremos educadores; possibilitar à pessoa uma postura positiva e madura na sociedade e no mundo; considerar as relações quotidianas, as experiências afetivas e efetivas de partilha e de fraternidade; criar uma mentalidade de esperança, de descoberta de valores; superar o individualismo e a exclusão social; possibilitar a recuperação dos direitos negados.

- Educação é valorização da vida e da cultura, respeito à individualidade, à diversidade étnico-cultural; é processo amplo e global que envolve toda pessoa e as pessoas todas ao longo da vida.

- Desencadear uma campanha de alfabetização. Realizar um levantamento de todos os métodos de educação existentes nas comunidades. Oferecer um roteiro para levantamento da realidade.

- Na abordagem da temática da educação formal, enfatizar a necessidade da qualidade da escola pública e da importância de uma parceria Estado-Sociedade no desenvolvimento do processo educativo. A escola não pode ser relegada à estrutura estatal, deve também ser assumida pela comunidade.

- Os MCS exercem cada vez mais influência na formação da opinião pública e são instrumentos que devem ser levados em conta na educação.

- Ter presente o contexto sócio-econômico-político dominado pela globalização, pelo neoliberalismo e pelo mercado e seus efeitos negativos.

- Envolver todas as Pastorais, Movimentos, Congregações, Associações, as CEBs, pois todas têm a sua dimensão educativa e sua responsabilidade pela educação do povo brasileiro.

- Que o Texto-base seja um documento mais de propostas de ação do que de denúncias, e que motive a articulação entre as várias instâncias da educação.

- Levar em consideração os outros documentos já publicados sobre o assunto particularmente "Educação, Igreja e Sociedade" - CNBB N° 47. Em vista do fato que a lema é "Educação a serviço da vida e da Esperança", o documento deve ter um tom de esperança e ser bastante prático.

A partir de todas estas sugestões, a Campanha da Fraternidade de 1998 colocou como seus objetivos:
1) colaborar com as pessoas na sua busca de realização;
2) favorecer a criação e o fortalecimento de comunidades onde todos participem e se apoiem fraternalmente;
3) estimular o exercício da cidadania, em favor de uma sociedade justa e solidária;
4) promover ações para a erradicação do analfabetismo em sentido amplo.