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Fraternidade e os Encarcerados
A Campanha da Fraternidade de 1997 adquire
uma conotação diferente, por inserir-se no contexto
do grande Projeto de Evangelização da Igreja
no Brasil em preparação ao Grande Jubileu do
Ano 2.000.
O Projeto Rumo ao Novo Milênio, afirmavam
os Bispos participantes da 34ª Assembléia Geral
da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),
em abril de 1996, "procura responder, com entusiasmo,
à Palavra do Papa João Paulo II, que convoca
a Igreja, em continuidade com o Concílio Vaticano II,
a dar testemunho de sua fé no mundo onde crescem a
violência, a injustiça e o secularismo; a promover
o diálogo e a unidade, principalmente entre os cristãos;
a transformar a sociedade em sinal do advento do Reino de
Justiça, Amor, Paz, Vida Plena que Jesus veio nos comunicar".
Partindo de situações concretas
da vida, a Campanha da Fraternidade quer evangelizar, em vista
da vida fraterna e da transformação social.
Esta situação, assumida como tema de uma CF,
é analisada, à luz da Palavra de Deus, no espírito
quaresmal, em preparação da Páscoa, segundo
o método ver-julgar-agir. O tema é abordado
de diversas formas e sob diferentes ângulos. É
refletido nos roteiros catequéticos, nas homilias,
nos círculos bíblicos, nas mensagens veiculadas
através dos meios de comunicação de massa,
no cartaz, nos cantos... É celebrado na liturgia -
celebrações da Palavra, da Eucaristia, Via-Sacra,
Hora Eucarística, Celebração da Misericórdia...
O tema da CF de 1997, a Fraternidade e os
Encarcerados, exigirá especial esforço para
perpassar todos estes meios e estes momentos da vida das comunidades
e grupos. Para muitos é um assunto de difícil
abordagem, completamente estranho, mas que atinge a todos,
direta ou indiretamente.
Este tema foi escolhido por ter sido indicado
por diversos Regionais da CNBB e porque é necessária
a formação da consciência das pessoas
a fim de que encarem os presos como seres humanos, possuidores
de direitos e deveres.
Ao serem dados os primeiros passos para esta
Campanha da Fraternidade de 1997, foram lançadas algumas
idéias para o seu desenvolvimento. Tê-las presente
ajudará na busca de seus objetivos, assim como ajudou
a equipe de redação do texto base:
- A Campanha da Fraternidade é projeto anual do Secretariado
Nacional da CNBB e das Igrejas Particulares no Brasil, realizado
à luz e na perspectiva das Diretrizes Gerais da Ação
Evangelizadora. As Diretrizes são, portanto, ponto
de referência obrigatório na elaboração
dos diversos subsídios de cada Campanha da Fraternidade.
- O tema "Fraternidade e os Encarcerados" deverá
ter forte acentuação cristológica. No
tríduo preparatório ao Jubileu do ano 2.000,
proposto pelo Papa, o ano de 1997 é reservado à
pessoa de Jesus Cristo e seu mistério de salvação,
com destaque ao Batismo, ao testemunho da fé, à
redescoberta da catequese à luz da Bíblia e
à Maria como testemunho de fé vivida.
Cristo continua preso - "Estive na prisão e viestes
- ou não viestes - a mim... tudo que fizestes ao menor
dos meus irmãos, a mim o fizestes" ( Cf Mt 25,
31-46).
- O lema - "Cristo liberta de todas as prisões",
lembra que há muitos tipos de prisões, de cadeias
que tiram a liberdade das pessoas - falta de condições
mínimas de vida digna, consumismo, drogas, alcoolismo,
trabalho escravo (com diversas formas novas de escravidão...)
e outras.
- A libertação dos cativos (presos), a quebra
das correntes faz parte do programa de Jesus: "O Espírito
do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para
evangelizar os pobres; enviou-me para anunciar aos aprisionados
a libertação, aos cegos a recuperação
da vista, para pôr em liberdade os oprimidos, para anunciar
um ano de graça do Senhor" (Lc 4, 18-19). A proposta
de Jesus é tarefa de todos os seus seguidores. Somente
na medida em que levarmos liberdade aos prisioneiros e aos
oprimidos, nos solidarizarmos com os pobres, viveremos o Espírito
de Cristo e caminharemos verdadeiramente para sua Páscoa.
- O tema faz rever as causas da criminalidade, da infração
da lei, da quebra do convívio social que leva à
prisão. Sem negar a responsabilidade pessoal, deve-se
considerar a situação concreta de cada indivíduo
no seu contexto social: sistemática destruição
de valores e indução à violência
por parte de meios de comunicação social; desemprego,
fome, impunidade.
- O tema exige aprofundamento da atual prática da justiça:
a quem é aplicada a lei com rigor? A quem não
se aplica com o mesmo rigor? São as graves questões
da impunidade e da morosidade, entre outras.
- Deve também considerar as famílias dos presos
e o acompanhamento ou desconhecimento da parte das comunidades
a que pertencem.
- Não poderá esquecer as vítimas do crime,
estejam ou não presos os seus autores: estupros, roubos,
assaltos, homicídios, corrupção (administrativa,
econômica, moral...).
Assim, a Campanha da Fraternidade de 1997 tem os seguintes
objetivos:
- Despertar a sensibilidade e solidariedade dos cristãos
e de todos os homens e mulheres de boa vontade para com as
vítimas e para com os encarcerados, ajudando-os a perceberem
a realidade carcerária do Brasil e a se comprometerem
na realização das mudanças necessárias.
- Acompanhar as vítimas e ajudá-las a enfrentar
os seus problemas e a perdoar.
- Ajudar os presos e presas a se tornarem sujeitos ativos
no seu processo de conversão e de reinserção
na sociedade.
- Colaborar com as autoridades legislativas, judiciárias,
policiais, penitenciárias na sua tarefa de fazer as
reformas e as leis necessárias.
- Participar ativamente no processo de mudança da sociedade
toda para superar os preconceitos, aprimorar a educação,
e fiscalizar a aplicação das leis.
- Colaborar com os Meios de Comunicação Social
e os formadores de opinião no desempenho da suas tarefas.
- Criar estruturas de atendimento e ajuda aos presos e seus
familiares.
Incentivar a busca de formas alternativas à pena de
prisão e de implementar a sua realização.
- Ajudar os educadores e educadoras a realizar a educação
para a fraternidade, a reconciliação e a responsabilidade
pelo bem de todos.
- Estabelecer parcerias com as Igrejas e organizações
da sociedade civil que trabalham nestes campos.
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